27 de mai de 2010

A ECOPEDAGOGIA DA TERRA



A Ecopedagogia como pedagogia apropriada ao processo da Carta da Terra

Moacir Gadotti *



RESUMO: O conceito de Ecopedagogia está relacionado com a sustentabilidade, para além da economia e da ecologia. A ecopedagogia inclui abordagens da planetaridade, educação para o futuro, cidadania planetária, virtualidade e a Pedagogia da Terra. A meta deste enfoque é discutir os paradigmas da Terra como uma comunidade global. Os princípios da Ecopeda-gogia são mais amplos do que a educação ambiental, desde que seu debate inclui processos de "co-educação", no marco da cultura de sustentabilidade, dentro e fora das escolas. A sustentabilidade educativa está além das nossas relações com o ambiente – ela se insere desde o quotidiano da vida, o profundo valor da nossa existência e nossos projetos de vida no Planeta Terra. Neste sentido, a Ecopedagogia, ou Pedagogia da Terra, é algo mais apropriado para a construção coletiva da Carta da Terra.

Três décadas de debates sobre "nosso futuro comum" deixaram algumas pegadas ecológicas, tanto no campo da economia, quanto no campo da ética, da política e da educação, que podem nos indicar um caminho diante dos desafios do Século XXI. A sustentabilidade tornou-se um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar não só o planeta, um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança num futuro possível, com dignidade, para todos.

O cenário não é otimista: podemos destruir toda a vida no planeta neste milênio que se inicia. Uma ação conjunta global é necessária, um movimento como grande obra civilizatória de todos é indispensável para realizarmos essa outra globalização, essa planetarização, fundamentada em outros princípios éticos que não os baseados na exploração econômica, na dominação política e na exclusão social. O modo pelo qual vamos produzir nossa existência neste pequeno planeta, decidirá sobre a sua vida ou a sua morte, e a de todos os seus filhos e filhas. A Terra deixou de ser um fenômeno puramente geográfico para se tornar um fenômeno histórico.

Os paradigmas clássicos, fundados numa visão industrialista predatória, antropocêntrica e desenvolvimentista, estão se esgotando, não dando conta de explicar o momento presente e de responder às necessidades futuras. Necessitamos de um outro paradigma, fundado numa visão sustentável do planeta Terra. O globalismo é essencialmente insustentável. Ele atende primeiro às necessidades do capital e depois às necessidades humanas. E muitas das necessidades humanas a que ele atende, tornaram-se "humanas" apenas porque foram produzidas como tais para servirem ao capital.

1- Pedagogia da Terra e educação sustentável

A sensação de pertencimento à Terra não se inicia na idade adulta e nem por um ato de razão. Desde a infância, sentimo-nos ligados com algo que é muito maior do que nós. Desde criança nos sentimos profundamente ligados ao universo e nos colocamos diante dele num misto de espanto e de respeito. E, durante toda vida, buscamos respostas ao que somos, de onde viemos, para onde vamos, enfim, qual o sentido da nossa existência. É uma busca incessante e que jamais termina. A educação pode ter um papel nesse processo se colocar questões filosóficas fundamentais, mas também se souber trabalhar ao lado do conhecimento essa nossa capacidade de nos encantar com o universo.

Hoje, tomamos consciência de que o sentido das nossas vidas não está separado do sentido do próprio planeta. Diante da degradação das nossas vidas no planeta chegamos a uma verdadeira encruzilhada entre um caminho Tecnozóico, que coloca toda a fé na capacidade da tecnologia de nos tirar da crise sem mudar nosso estilo poluidor e consumista de vida e um caminho Ecozóico, fundado numa nova relação saudável com o planeta, reconhecendo que somos parte do mundo natural, vivendo em harmonia com o universo, caracterizado pelas atuais preocupações ecológicas. Temos que fazer escolhas. Elas definirão o futuro que teremos. Não me parece realmente que sejam caminhos totalmente opostos. Tecnologia e humanismo não se contrapõem. Mas, é claro, houve excessos no nosso estilo poluidor e consumista de vida e que não é fruto da técnica, mas do modelo econômico. Este é que tem que ser posto e causa. E esse é um dos papéis da educação sustentável ou ecológica.

O desenvolvimento sustentável, visto de forma crítica, tem um componente educativo formidável: a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação. É aqui que entra em cena a Pedagogia da Terra, a ecopedagogia. Ela é uma pedagogia para a promoção da aprendizagem do "sentido das coisas a partir da vida cotidiana", como dizem Francisco Gutiérrez e Cruz Prado em seu livro Ecopedagogia e cidadania planetária (São Paulo, IPF/Cortez, 1998). Encontramos o sentido ao caminhar, vivenciando o contexto e o processo de abrir novos caminhos; não apenas observando o caminho. É, por isso, uma pedagogia democrática e solidária. A pesquisa de Francisco Gutiérrez e Cruz Prado sobre a ecopedagogia originou-se na preocupação com o sentido da vida cotidiana. A formação está ligada ao espaço/tempo no qual se realizam concretamente as relações entre o ser humano e o meio ambiente. Elas se dão sobretudo no nível da sensibilidade, muito mais do que no nível da consciência. Elas se dão, portanto, muito mais no nível da sub-consciência: não as percebemos e, muitas vezes, não sabemos como elas acontecem. É preciso uma ecoformação para torná-las conscientes. E a ecoformação necessita de uma ecopedagogia. Como destaca Gaston Pineau em seu livro De l'air: essai sur l'écoformation (Paris, Païdeia, 1992) uma série de referenciais se associam para isso: a inspiração bachelardiana, os estudos do imaginário, a abordagem da transversalidade, da transdisciplinaridade e da interculturalidade, o construtivismo e a pedagogia da alternância.

Precisamos de uma ecopedagogia e uma ecoformação hoje, precisamos de uma Pedagogia da Terra, justamente porque sem essa pedagogia para a re-educação do homem/mulher, principalmente do homem ocidental, prisioneiro de uma cultura cristã predatória, não poderemos mais falar da Terra como um lar, como uma toca, para o "bicho-homem", como fala Paulo Freire. Sem uma educação sustentável, a Terra continuará apenas sendo considerada como espaço de nosso sustento e de domínio técnico-tecnológico, objeto de nossas pesquisas, ensaios, e, algumas vezes, de nossa contemplação. Mas não será o espaço de vida, o espaço do aconchego, de "cuidado" (Leonardo Boff, Saber cuidar, Petrópolis, Vozes, 1999).

Não aprendemos a amar a Terra lendo livros sobre isso, nem livros de ecologia integral. A experiência própria é o que conta. Plantar e seguir o crescimento de uma árvore ou de uma plantinha, caminhando pelas ruas da cidade ou aventurando-se numa floresta, sentindo o cantar dos pássaros nas manhãs ensolaradas ou não, observando como o vento move as plantas, sentindo a areia quente de nossas praias, olhando para as estrelas numa noite escura. Há muitas formas de encantamento e de emoção frente às maravilhas que a natureza nos reserva. É claro existe a poluição, a degradação ambiental para nos lembrar de que podemos destruir essa maravilha e para formar nossa consciência ecológica e nos mover à ação. Acariciar uma planta, contemplar com ternura um pôr de sol, cheirar o perfume de uma folha de pitanga, de goiaba, de laranjeira ou de um cipreste, de um eucalipto... são múltiplas formas de viver em relação permanente com esse planeta generoso e compartilhar a vida com todos os que o habitam ou o compõem. A vida tem sentido, mas ele só existe em relação. Como diz o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade: "Sou um homem dissolvido na natureza. Estou florescendo em todos os ipês".

Isso Drummond só poderia dizer aqui na Terra. Se estivesse em outro planeta do sistema solar ele não diria o mesmo. Só a Terra é amigável com o ser humano. Os outros planetas são francamente hostis a ele, embora tenham sido originados na mesma poeira cósmica. Existirão outros planetas fora do sistema solar que abrigam a vida, talvez a vida inteligente? Se levarmos em conta que a matéria da qual se originou o universo é a mesma, é muito provável. Mas, por ora, só temos um que é francamente nosso amigo. Temos que aprender a amá-lo.

Como se traduz na educação o princípio da sustentabilidade? Ele se traduz por perguntas como: até que ponto há sentido no que fazemos? Até que ponto nossas ações contribuem para a qualidade de vida dos povos e para a sua felicidade? A sustentatibilidade é um princípio reorientador da educação e principalmente dos currículos, objetivos e métodos.

É no contexto da evolução da própria ecologia que surge e ainda engatinha, o que chamamos de "ecopedagogia", inicialmente chamada de "pedagogia do desenvolvimento sustentável" e que hoje ultrapassou esse sentido. A ecopedagogia está se desenvolvimento seja como um movimento pedagógico seja como abordagem curricular.

Como a ecologia, a ecopedagogia também pode ser entendida como um movimento social e político. Como todo movimento novo, em processo, em evolução, ele é complexo e, pode tomar diferentes direções, até contraditórias. Ele pode ser entendido diferentemente como o são as expressões "desenvolvimento sustentável" e "meio ambiente". Existe uma visão capitalista do desenvolvimento sustentável e do meio ambiente que, por ser anti-ecológica, deve ser considerada como uma "armadilha", como vem sustentando Leonardo Boff.

A ecopedagogia também implica uma reorientação dos currículos para que incorporem certos princípios defendidos por ela. Estes princípios deveriam, por exemplo, orientar a concepção dos conteúdos e a elaboração dos livros didáticos. Jean Piaget nos ensinou que os currículos devem contemplar o que é significativo para o aluno. Sabemos que isso é correto, mas incompleto. Os conteúdos curriculares têm que ser significativos para o aluno, e só serão significativos para ele, se esses conteúdos forem significativos também para a saúde do planeta, para o contexto mais amplo.

Colocada neste sentido, a ecopedagogia não é uma pedagogia a mais, ao lado de outras pedagogias. Ela só tem sentido como projeto alternativo global onde a preocupação não está apenas na preservação da natureza (Ecologia Natural) ou no impacto das sociedades humanas sobre os ambientes naturais (Ecologia Social), mas num novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico (Ecologia Integral) que implica uma mudança nas estruturas econômicas, sociais e culturais. Ela está ligada, portando, a um projeto utópico: mudar as relações humanas, sociais e ambientais que temos hoje. Aqui está o sentido profundo da ecopedagogia, ou de uma Pedagogia da Terra, como a chamamos.

A ecopedagogia não se opõe à educação ambiental. Ao contrário, para a ecopedagogia a educação ambiental é um pressuposto. A ecopedagogia incorpora-a e oferece estratégias, propostas e meios para a sua realização concreta. Foi justamente durante a realização do Fórum Global 92, no qual se discutiu muito a educação ambiental, que se percebeu a importância de uma pedagogia do desenvolvimento sustentável ou de uma ecopedagogia. Hoje, porém, a ecopedagogia tornou-se um movimento e uma perspectiva da educação maior do que uma pedagogia do desenvolvimento sustentável. Ela está mais para a educação sustentável, para uma ecoeducação, que é mais ampla do que a educação ambiental. A educação sustentável não se preocupa apenas com uma relação saudável com o meio ambiente, mas com o sentido mais profundo do que fazemos com a nossa existência, a partir da vida cotidiana.

2 – Consciência planetária, cidadania planetária, civilização planetária



A globalização, impulsionada sobretudo pela tecnologia, parece determinar cada vez mais nossas vidas. As decisões sobre o que nos acontece no dia-a-dia parecem nos escapar, por serem tomadas muito distante de nós, comprometendo nosso papel do sujeitos da história. Mas não é bem assim. Como fenômeno e como processo, a globalização tornou-se irreversível, mas não esse tipo de globalização – o globalismo – ao qual estamos submetidos hoje: a globalização capitalista. Seus efeitos mais imediatos são o desemprego, o aprofundamento das diferenças entre os poucos que têm muito e os muitos que têm pouco, a perda de poder e autonomia de muita Estados e Nações. Há pois que distinguir os países que hoje comandam a globalização – os globalizadores (países ricos) – dos países que sofrem a globalização, os países globalizados (pobres).

Dentro deste complexo fenômeno podemos distinguir também a globalização econômica, realizada pelas transnacionais, da globalização da cidadania. Ambas se utilizam da mesma base tecnológica, mas com lógicas opostas. A primeira, submetendo Estados e Nações, é comandada pelo interesse capitalista; a segunda globalização é a realizada através da organização da Sociedade Civil. A Sociedade Civil globalizada é a resposta que a Sociedade Civil como um todo e as ONGs estão dando hoje à globalização capitalista. Neste sentido, o Fórum Global 92 se constituiu num evento dos mais significativos do final de século XX: deu grande impulso à globalização da cidadania. Hoje, o debate em torno da Carta da Terra está se constituindo num fator importante de construção desta cidadania planetária. Qualquer pedagogia, pensada fora da globalização e do movimento ecológico, tem hoje sérios problemas de contextualização.

"Estrangeiro eu não vou ser. Cidadão do mundo eu sou", diz uma das letras de música cantada pelo cantor brasileiro Milton Nascimento. Se as crianças de nossas escolas entendessem em profundidade o significado das palavras desta canção, estariam iniciando uma verdadeira revolução pedagógica e curricular. Como posso sentir-me estrangeiro em qualquer território se pertenço a um único território, a Terra? Não há lugar estrangeiro para terráqueos, na Terra. Se sou cidadão do mundo, não podem existir para mim fronteiras. As diferenças culturais, geográficas, raciais e outras enfraquecem, diante do meu sentimento de pertencimento à Humanidade.

A noção de cidadania planetária (mundial) sustenta-se na visão unificadora do planeta e de uma sociedade mundial. Ela se manifesta em diferentes expressões: "nossa humanidade comum", "unidade na diversidade", "nosso futuro comum", "nossa pátria comum", "cidadania planetária". Cidadania Planetária é uma expressão adotada para expressar um conjunto de princípios, valores, atitudes e comportamentos que demonstra uma nova percepção da Terra como uma única comunidade. Freqüentemente associada ao "desenvolvimento sustentável", ela é muito mais ampla do que essa relação com a economia. Trata-se de um ponto de referência ético indissociável da civilização planetária e da ecologia. A Terra é "Gaia", um super-organismo vivo e em evolução, o que for feito a ela repercutirá em todos os seus filhos.

Cultura da sustentabilidade supõe uma pedagogia da sutentabilidade que dê conta da grande tarefa de formar para a cidadania planetária. Esse é um processo já em marcha. A educação para a cidadania planetária está começando através de numerosas experiências que, embora muitas delas sejam locais, elas nos apontam para uma educação para nos sentir membros para além da Terra, para viver uma cidadania cósmica. Os desafios são enormes tanto para os educadores quanto para os responsáveis pelos sistemas educacionais. Mas já existem certos sinais, na própria sociedade, que apontam para uma crescente busca não só por temas espiritualistas e de auto-ajuda, mas por um conhecimento científico mais profundo do universo.

Educar para a cidadania planetária implica muito mais do que uma filosofia educacional, do que o enunciado de seus princípios. A educação para a cidadania planetária implica uma revisão dos nossos currículos, uma reorientação de nossa visão de mundo da educação como espaço de inserção do indivíduo não numa comunidade local, mas numa comunidade que é local e global ao mesmo tempo. Educar, então, não seria como dizia Émile Durheim, a transmissão da cultura "de uma geração para outra", mas a grande viagem de cada indivíduo no seu universo interior e no universo que o cerca.

O tipo de globalização de hoje está muito mais ligada ao fenômeno da mundialização do mercado, que é um tipo de mundialização. E mesmo esta mundialização, fundada no mercado, pode ser vista como uma globalização cooperativa ou como uma globalização competitiva sem solidariedade. Entre o estatismo absolutista e a mão invisível do mercado, pode existir (e existe) uma nova economia de mercado (há mercados e mercados!) onde predomina a cooperação e a solidariedade e não a competitividade selvagem, uma economia solidária, a verdadeira economia da sustentabilidade. Por tudo isso, precisamos construir uma "outra globalização" (Milton Santos, Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. São Paulo, Record, 2000), uma globalização fundada no princípio da solidariedade.

A globalização em si não é problemática, pois representa um processo de avanço sem precedentes na história da humanidade. O que é problemático é a globalização competitiva onde os interesses do mercado se sobrepõem aos interesses humanos, onde os interesses dos povos se subordinam aos interesses corporativos das grandes empresas transnacionais. Assim, podemos distinguir uma globalização competitiva de uma possível globalização cooperativa e solidária que, em outros momentos, chamamos de processo de "planetarização". A primeira está subordinada apenas às leis do mercado e a segunda subordina-se aos valores éticos e à espiritualidade humana. Para essa segunda globalização é que a Carta da Terra, como um código de ética universal, deveria dar uma contribuição importante, não apenas através da proclamação que os Estados podem fazer, mas, sobretudo, pelo impacto que seus princípios poderão ter na vida cotidiana do cidadão planetário.

3 – Movimento pela ecopedagogia

Essa travessia de milênio caracteriza-se por um enorme avanço tecnológico e também por uma enorme imaturidade política: enquanto a Internet nos coloca no centro da Era da Informação, o governo do humano continua muito pobre, gerando misérias e deterioração. Podemos destruir toda a vida do planeta. 500 empresas transnacionais controla 25% da atividade econômica mundial e 80% das inovações tecnológicas. A globalização econômica capitalista enfraqueceu os Estados Nacionais impondo limites para a sua autonomia, subordinando-os à lógica econômica das transnacionais. Gigantescas dívidas externas governam países e impedem a implantação de políticas sociais eqüalizadoras. As empresas transnacionais trabalham para 10% da população mundial que se situa nos países mais ricos, gerando uma tremenda exclusão. Esse é o cenário da travessia, um cenário ainda mais problemático pela falta de alternativas.

Os paradigmas clássicos estão esgotando suas possibilidades de responder adequadamente a esse novo contexto. Não conseguem explicar essa travessia, muito menos, passar por ela. Há uma crise de inteligibilidade diante da qual muitos falsos profetas e charlatães oferecem soluções mágicas. Uma nova espiritualidade surge muito bem aproveitada pelas mercoreligiões. A resposta dada pelo estatismo burocrático e autoritário é tão ineficiente quanto o neoliberalismo do deus mercado. O neoliberalismo propõe mais poder para as transnacionais e os estatistas propõem mais poder para o Estado, reforçando as suas estruturas. No meio de tudo isso está o cidadão comum que não é, nem empresário, nem Estado. A resposta parece estar além deste dois modelos clássicos, mas certamente não numa suposta "terceira via" que deseja apenas dar sobrevida ao capitalismo sofisticando a dominação política, a exploração econômica e provocando enorme exclusão social. A resposta parece vir hoje do fortalecimento do controle cidadão frente ao Estado e ao Mercado, a Sociedade Civil fortalecendo sua capacidade de governar-se e controlar o desenvolvimento. Aqui entra o papel importante da educação, da formação para a cidadania ativa.

Podemos dizer que há uma comunidade sustentável que vive em harmonia com o seu meio ambiente, não causando danos a outras comunidades, nem para a comunidade de hoje, e nem para a de amanhã. E isso não pode constituir-se apenas num compromisso ecológico, mas ético-político, alimentado por uma pedagogia, isto é, por uma ciência da educação e uma prática social definida. Nesse sentido, a ecopedagogia, inserida nesse movimento sócio-histórico, formando cidadãos capazes de escolherem os indicadores de qualidade do seu futuro, se constitui numa pedagogia inteiramente nova e intensamente democrática.

O Movimento pela Ecopedagogia ganhou impulso sobretudo a partir do Primeiro Encontro Internacional da Carta da Terra na Perspectiva da Educação, organizado pelo Instituto Paulo, com o apoio do Conselho da Terra e da UNESCO, de 23 a 26 de agosto de 1999, em São Paulo e do I Fórum Internacional sobre Ecopedagogia, realizado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal, de 24 a 26 de março de 2000. Desses encontros surgiram os princípios orientadores desse movimento contidos numa "Carta da Ecopedagogia". Eis alguns deles:

1. O planeta como uma única comunidade.

2. A Terra como mãe, organismo vivo e em evolução.

3. Uma nova consciência que sabe o que é sustentável, apropriado, o faz sentido para a nossa existência.

4. A ternura para com essa casa. Nosso endereço é a Terra.

5. A justiça sócio-cósmica: a Terra é um grande pobre, o maior de todos os pobres.

6. Uma pedagogia biófila (que promove a vida): envolver-se, comunicar-se, compartilhar, problematizar, relacionar-se entusiasmar-se.

7. Uma concepção do conhecimento que admite só ser integral quando compartilhado.

8. O caminhar com sentido (vida cotidiana).

9. Uma racionalidade intuitiva e comunicativa: afetiva, não instrumental.

10. Novas atitudes: reeducar o olhar, o coração.

11. Cultura da sustentabilidade: ecoformação. Ampliar nosso ponto de vista.



As pedagogias clássicas eram antropocêntricas. A ecopedagogia parte de uma consciência planetária (gêneros, espécies, reinos, educação formal, informal e não-formal...). Ampliamos o nosso ponto de vista. Do homem para o planeta, acima de gêneros, espécies e reinos. De uma visão antropocêntrica para uma consciência planetária, para uma prática de cidadania planetária e para uma nova referência ética e social: a civilização planetária.

Não se pode dizer que a ecopedagogia representa já uma tendência concreta e notável na prática da educação contemporânea. Se ela já tivesse suas categorias definidas e elaboradas, ela estaria totalmente equivocada, pois uma perspectiva pedagógica não pode nascer de um discurso elaborado por especialistas. Ao contrário, o discurso pedagógico elaborado é que nasce de uma prática concreta, testada e comprovada. A ecopedagogia está ainda em formação e formulação como teoria da educação. Ela se está se manifestando em muitas práticas educativas que o "Movimento pela ecopedagogia", liderado pelo Instituto Paulo Freire, tenta congregar.

O Movimento pela Ecopedagogia, surgido no seio da iniciativa da Carta da Terra. Ele está dando apoio ao processo de discussão da Carta da Terra, indicando justamente uma metodologia apropriada que não seja a metodologia da simples "proclamação" governamental, de uma declaração formal, mas a tradução de um processo vivido e da participação crítica da "demanda", como diz Francisco Gutiérrez.

A Carta da Terra deve ser entendida sobretudo como um movimento ético global para se chegar a um código de ética planetário, sustentando um núcleo de princípios e valores que fazem frente à injustiça social e à falta de eqüidade reinante no planeta. Cinco pilares sustentam esse núcleo: a) direitos humanos; b) democracia e participação; c) eqüidade; d) proteção da minoria; e) resolução pacífica dos conflitos. Esses pilares são cimentados por uma visão de mundo solidária e respeitosa da diferença (consciência planetária).

O intercâmbio planetário que ocorre hoje em função da expansão das oportunidades de acesso à comunicação, notadamente através da Internet, deverá facilitar o diálogo inter e transcultural e o desenvolvimento desta nova ética planetária. A campanha da Carta da Terra agrega um novo valor e oferece um novo impulso a esse movimento pela ética na política, na economia, na educação etc. Ela se tornará realmente forte e, talvez, decisiva, no momento em que representar um projeto de futuro um contraprojeto global e local ao projeto político-pedagógico, social e econômico neoliberal, que não só é intrinsecamente insustentável, como também essencialmente injusto e desumano.

4 – A ecopedagogia como pedagogia apropriada ao processo da Carta da Terra

Precisamos de uma "Pedagogia da Terra", uma pedagogia apropriada para esse momento de reconstrução paradigmática, apropriada à cultura da sustentabilidade e da paz, por isso, apropriada ao processo da Carta Terra. Ela vem se constituindo gradativamente, beneficiando-se de muitas reflexões que ocorreram nas últimas décadas, principalmente no interior do movimento ecológico. Ela se fundamenta num paradigma filosófico (Paulo Freire, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Boaventura de Sousa Santos, Milton Santos) emergente na educação que propõe um conjunto de saberes/valores interdependentes. Entre eles podemos destacar:

1º) Educar para pensar globalmente. Na era da informação, diante da velocidade com que o conhecimento é produzido e envelhece, não adianta acumular informações. É preciso saber pensar. E pensar a realidade. Não pensar pensamentos já pensados. Daí a necessidade de recolocarmos o tema do conhecimento, do saber aprender, do saber conhecer, das metodologias, da organização do trabalho na escola.

2º) Educar os sentimentos. O ser humano é o único ser vivente que se pergunta sobre o sentido de sua vida. Educar para sentir e ter sentido, para cuidar e cuidar-se, para viver com sentido em cada instante da nossa vida. Somos humanos porque sentimos e não apenas porque pensamos. Somos parte de um todo em construção.

3º) Ensinar a identidade terrena como condição humana essencial. Nosso destino comum no planeta, compartilhar com todos, sua vida no planeta. Nossa identidade é ao mesmo tempo individual e cósmica. Educar para conquistar um vínculo amoroso com a Terra, não para explorá-la, mas para amá-la.

4º) Formar para a consciência planetária. Compreender que somos interdependentes. A Terra é uma só nação e nós, os terráqueos, os seus cidadãos. Não precisaríamos de passaportes. Em nenhum lugar na Terra deveríamos nos considerar estrangeiros. Separar primeiro de terceiro mundo, significa dividir o mundo para governá-lo a partir dos mais poderosos; essa é a divisão globalista entre globalizadores e globalizados, o contrário do processo de planetarização.

5º) Formar para a compreensão. Formar para a ética do gênero humano, não para a ética instrumental e utilitária do mercado. Educar para comunicar-se. Não comunicar para explorar, para tirar proveito do outro, mas para compreendê-lo melhor. A Pedagogia da Terra funda-se nesse novo paradigma ético e numa nova inteligência do mundo. Inteligente não é aquele que sabe resolver problemas (inteligência instrumental), mas aquele que tem um projeto de vida solidário. Porque a solidariedade não é hoje apenas um valor. É condição de sobrevivência de todos.

6º) Educar para a simplicidade e para a quietude. Nossas vidas precisam ser guiadas por novos valores: simplicidade, austeridade, quietude, paz, saber escutar, saber viver juntos, compartir, descobrir e fazer juntos. Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura dominante que é uma cultura de guerra, de competitividade sem solidariedade, e passar de uma responsabilidade diluída à uma ação concreta, praticando a sustentabilidade na vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua. A simplicidade não se confunde com a simploriedade e a quietude não se confunde com a cultura do silêncio. A simplicidade tem que ser voluntária como a mudança de nossos hábitos de consumo, reduzindo nossas demandas. A quietude é uma virtude, conquistada com a paz interior e não pelo silêncio imposto.

É claro, tudo isso supõe justiça e justiça supõe que todas e todos tenham acesso à qualidade de vida. Seria cínico falar de redução de demandas de consumo, atacar o consumismo, falar de consumismo aos que ainda não tiveram acesso ao consumo básico. Não existe paz sem justiça.

Diante do possível extermínio do planeta, surgem alternativas numa cultura da paz e uma cultura da sustentabilidade. Sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia. Sustentabilidade tem a ver com a relação que mantemos conosco mesmos, com os outros e com a natureza. A pedagogia deveria começar por ensinar sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo, por que é ele nosso primeiro educador. Essa primeira educação é uma educação emocional que nos coloca diante do mistério do universo, na intimidade com ele, produzindo a emoção de nos sentirmos parte desse sagrado ser vivo e em evolução permanente.

Não entendemos o universo como partes ou entidades separadas, mas como um todo sagrado, misterioso, que nos desafia a cada momento de nossas vidas, em evolução, em expansão, em interação. Razão, emoção e intuição são partes desse processo, onde o próprio observador está implicado. O Paradigma-Terra é um paradigma civilizatório. E como a cultura da sustentabilidade oferece uma nova percepção da Terra, considerando-a como uma única comunidade de humanos, ela se torna básica para uma cultura de paz.

O universo não está lá fora. Está dentro de nós. Está muito próximo de nós. Um pequeno jardim, uma horta, um pedaço de terra, é um microcosmos de todo o mundo natural. Nele encontramos formas de vida, recursos de vida, processos de vida. A partir dele podemos reconceitualizar nosso currículo escolar. Ao construí-lo e ao cultivá-lo podemos aprender muitas coisas. As crianças o encaram como fonte de tantos mistérios! Ele nos ensina os valores da emocionalidade com a Terra: a vida, a morte, a sobrevivência, os valores da paciência, da perseverança, da criatividade, da adaptação, da transformação, da renovação... Todas as nossas escolas podem transformar-se em jardins e professores-alunos, educadores-educandos, em jardineiros. O jardim nos ensina ideais democráticos: conexão, escolha, responsabilidade, decisão, iniciativa, igualdade, biodiversidade, cores, classes, etnicidade, e gênero.

"Carta" significa "mapa", um mapa para nos guiar nessa travessia conturbada. A Carta da Terra, nesse sentido, precisa ser considerada como um código de ética planetária a nos guiar hoje para um mundo onde predominem os valores da solidariedade e da sustentabilidade, um projeto, um movimento, um processo, que pode transformar o risco de extermínio em oportunidade histórica, transformar o temor em esperança. Adotar e promover a prática de seus valores, não pode ser apenas o compromisso de Estados e Nações, mas de cada ser humano, individual, pessoal, como sujeito da história, como vem promovendo o Manifesto 2000 da UNESCO. Precisamos de uma cultura de paz com justiça social para enfrentar a barbárie. Se aceitamos a barbárie, acostumamo-nos a um cotidiano de violência e de insustentabilidade.

No nosso livro Pedagogia da Terra defendemos a necessidade de uma Carta da Terra associada a um processo de paz, a uma cultura de paz. E, como a Carta da Terra é um documento ético, precisa da educação para tornar-se cada vez mais conhecido. Mas precisamos não só de mudança na consciência das pessoas. Precisamos de mudanças estruturais no campo econômico, como as propostas pela Agenda 21. A Carta da Terra precisa estar associada também à Agenda 21 e ter um grande suporte na sociedade civil. Os governos podem assinar tratados, podem adotar a Carta da Terra, mas não cumprirão suas promessas se a sociedade civil não estiver vigilante e não pressionar os governantes para que eles cumpram o que assumem. O que foi socialmente construído pode ser socialmente transformado. Um outro mundo é possível. Uma outra globalização é possível. Precisamos chegar lá juntos e, sobretudo, em tempo.

Fonte: Revista UFMT

15 de mai de 2010

A Escalada do Secretário Geral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria avaliando uma tentativa de se tornar o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal britânico The Times.
Lula, que deixará a Presidência da República em janeiro, pode buscar o posto quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon terminar no final de 2011, segundo a publicação. A ideia teria sido lançada primeiramente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante uma reunião da cúpula do G-20, em Pittsburgh (EUA), em setembro.
Procurado pelo diário, Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, não descartou a possibilidade, dizendo que Lula tem "enorme interesse em questões internacionais", especialmente no processo de integração da América do Sul, e "uma grande paixão pela África". "Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África", afirmou Garcia.
De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional. O The Times citou ainda a postura do presidente em uma visita na última semana ao Oriente Médio, na qual disse: "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe."
A publicação reconheceu, contudo, que Lula recentemente adotou posições que desagradaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, dois dos países que poderiam vetar sua indicação. Segundo o jornal, ele aborreceu Washington ao receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro, e ao criticar as sanções contra o país. A reportagem destacou ainda o apoio do presidente à Argentina na disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.
Segundo o jornal, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, teria classificado as ambições de paz mundial de Lula como "risivelmente ingênuas". Diplomatas esperam que Ban Ki-moon, cauteloso ex-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, tente um segundo mandato de cinco anos, informou o The Times.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lula-almeja-ser-secretario-geral-da-onu-diz-the-times,527299,0.htm


Lula e Medvedev durante encontro em Moscou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira em Moscou que está "cada dia mais otimista" quanto a um acordo com o Irã sobre o programa nuclear do país.

Lula diz confiar em sua experiência como negociador para convencer o Irã


Lula chega à Rússia

Ao visitar Irã, Brasil 'desafia política externa dos EUA', diz Financial Times

Última chance

Lula chega a Teerã na noite de sábado e se reúne com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, no domingo.
Na quinta-feira, o governo americano já havia deixado transparecer que a viagem de Lula é a última chance de diálogo antes da aplicação de novas sanções para pressionar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.
Clique Leia: EUA dizem esperar que Brasil leve mensagem de pressão ao Irã
Medvedev reforçou essa ideia e disse que "se o Brasil não convencer o Irã, o Conselho de Segurança terá de seguir com as propostas do grupo dos seis", referindo-se ao chamado P5 + 1, que reúne Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha.
O governo americano já manifestou diversas vezes seu ceticismo quanto à possibilidade de um acordo e disse que Ahmadinejad está apenas tentando ganhar tempo ao dizer que poderia aceitar a mediação de Lula.



Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/05/100514_clinton_hague_rc.shtml

ONU VERDE

CLICAÊ !!!

...CERVEJA SÓ !!!

Chega ao mercado cerveja artesanal sem glúten, com gordura O e até sem açúcar


cervejasemgluten

      Uma boa notícia para quem sofre de intolerância ao glúten, e aprecia uma boa cerveja, é a chegada ao mercado brasileiro das cervejas Green´s. Criada em 2004 pelo mestre cervejeiro Derek Green (ele mesmo celíaco), a Green´s não contém glúten em sua composição, sendo indicada para celíacos, que não precisam mais abrir mão do prazer de saborear uma boa cerveja.
Com oito composições diferentes – Discovery, Endeavour, Herald, Pionner, Trailblazer, Mission, Pathfinder, Quest - todas excluem o glúten e apresentam zero teor de gordura. Uma delas inclusive, a Trailblazer, também não possui açúcar, sendo indicada para diabéticos. Além de não conter glúten, esta cerveja artesanal inglesa também não contém outros alérgenos alimentares comuns (como crustáceos, ovos, peixe, amendoim, soja, leite, lactose, nozes, mostarda, gergelim e sulfitos), sendo composta de trigo sarraceno.
Apesar do nome, o trigo sarraceno nada tem a ver com o trigo, não sendo nem mesmo um cereal. Este alimento, mais próximo da família do arroz, é nativo da Ásia Central, e chegou à Europa durante a Idade Média. De cor negra, é cultivado em lugares frios, como nas regiões montanhosas da Ásia. Em termos nutricionais, é uma boa fonte de manganês, magnésio e fibras dietéticas. Seus efeitos benéficos estão ligados à presença de flavonóides, principalmente a rutina, conhecida como Vitamina P, e a quercetina, compostos antioxidantes que protegem contra doenças. A sua proteína é de alto valor biológico, contendo todos os aminoácidos essenciais, incluindo a lisina.

Fonte: http://www.vidasemglutenealergias.com/nova-cerveja-sem-gluten-disponivel-no-brasil/1276/

BURCA

Como é vestir uma burca

O MUNDO ATRÁS DA TELA
O visor da burca impede a visão lateral e torna difícil enxergar os pés.

http://veja.abril.com.br/190510/imagens/especial8.jpg



A primeira constatação é que ela permite enxergar melhor do que se imagina. À luz do dia, os olhos aprendem rapidamente a ignorar a interferência da trama quadriculada que serve de visor da roupa. Ao menos quando se olha para a frente, dá para ver tudo com clareza. Já a visão lateral desaparece de dentro de uma burca. Olhar para os lados requer virar completamente a cabeça, e o primeiro tropeção ensina que enxergar os pés – assim como os muitos buracos que surgem diante deles nas ruas sem calçada e sem asfalto de Cabul – é outra tarefa complicada para uma mulher nessa situação. É por isso que quase todas caminham com uma das mãos sobre o peito, pressionando o tecido contra o corpo. Só assim conseguem ver um pouco melhor onde pisam. A sensação ao usar a roupa é a de estar dentro de uma barraca de camping, de onde se pode espreitar o mundo sem ser visto, já que ninguém presta atenção numa mulher de burca – você é só mais um ponto azul movimentando-se na paisagem.
Até vinte anos atrás, as burcas eram feitas de algodão e plissadas a mão. Hoje, são de poliéster e fabricadas na China. Custam o equivalente a 20 dólares e, ao contrário das antigas, não amassam, não desbotam e não perdem as pregas jamais. Mas são abafadas como o inferno – e causam dor de cabeça, resultado da pressão do elástico interno que prende a peça em torno do crânio. Em compensação, as burcas protegem contra as moscas que sobrevoam os muitos esgotos a céu aberto de Cabul. Embora só as mãos fiquem visíveis, quem quiser perscrutar quem está sob uma burca pode começar prestando atenção na cor do tecido. Quanto mais claro o tom de azul (sempre azul, já que a ideia é não ser original), mais jovem é a mulher que está debaixo dela.
Conforme o dia escurece, a visão vai piorando. A quantidade de tropeções aumenta e a sensação de claustrofobia começa a dar comichão nas mãos. Puxo finalmente o véu e descubro o rosto. Burcas podem proteger contra a poeira, a gripe A e o "bad hair day", mas tirá-las – e sentir a lufada de ar fresco que adentra os pulmões – é a melhor parte da experiência de vesti-las.
Fonte: http://veja.abril.com.br/190510/afeganistao-inferno-para-mulheres-p-140.shtml

6 de mai de 2010

Carta do chefe Seatle

http://api.ning.com/files/JObsR613-spSMbL323*uBt*geX3AIRmGHk-0XIRBSdj*EWvsz1CFpxm-C*HAXGUK2yq1rOKaSX4SQPrhHF2DJLdqobmiz2Nf/seatle.JPG


"Isto sabemos: a terra não pertence ao homem;
o homem pertence à terra.
Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas
como o sangue que une uma família.
Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra
recairá sobre os filhos da terra.
O homem não tramou o tecido da vida;
ele é simplesmente um de seus fios.
Tudo o que fizer ao tecido,
fará a si mesmo."

Livros

(James Lovelock)
(Edward Wilson)
(Theodore Monod)
(Martin Rees)
(Christian de Duve)
(Joanna Macy e Molly Y. Brown)
(Fritjof Capra)
(Thomas Berry)
(Leonardo Boff)
(Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente)
(Ilya Prigogine e Isabelle Stengers)
(Jacques Attali)
(Stephen Hawking)

Artigos




Gaia: A Terra Viva - James Lovelock
O planeta chega ao seu limite - Amâncio Friaça
Desafios Ecológicos do Fim do Milênio - Leonardo Boff
Ecologia Profunda: Um Novo Renascimento - Fritjof Capra
O Pecado Maior do Capitalismo - Leonardo Boff
Carta da Terra: Um Passo Adiante - Moacir Gadotti
Os Limites do Capital são os Limites da Terra - Leonardo Boff
O Que é Ecologia Profunda? - Carlos Aveline
A Vingança de Gaia - José Correa Leite
Paradigma Planetário - Leonardo Boff
Rumo à Ecologia Profunda - Fritjof Capra
A Crise Ecológica e o Cuidado da Vida - Frei Sinivaldo Tavares
Três Cenários do Drama Ecológico Atual - Leonardo Boff

ENTREVISTAS



James Lovelock - Terramérica em junho/2009
Ervin László - Revista Página22 em agosto/2007
Eric Hobsbawm - Revista Sem Terra em junho/2009
Martin Ress - Revista Página22 em março/2007
James Lovelock - Revista VEJA em outubro/2006
Edward Wilson - Revista VEJA em maio/2006
Leonardo Boff - Jornalista Paulo Melo Sousa em julho/2007
Fritjof Capra - Jornalista Carlos Tautz em janeiro/2003

VÍDEOS



Carta da Terra (narração de Leonardo Boff)

HOME - Nosso Planeta, Nossa Casa
Uma Verdade Inconveniente
Palestra com Leonardo Boff
Palestra com Washington Novaes
Palestra com Hugo Penteado
Mudanças no Clima, Mudanças de Vidas
Entrevista com Amâncio Friaça e Hugo Penteado
A Carne é Fraca
A Vida Conectada
As Marcas da Humanidade
A História das Coisas


Fonte:
http://complexidade.ning.com/page/pensamento-ecologico-em-nossa

5 de mai de 2010

Coisas de mães


Se as coisas fossem mães
                                                                     Sylvia Orthof
Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
o céu seria sua casa, casa das estrelas belas.

Se sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
o mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.

Se a casa fosse mãe, seria mãe das janelas,
conversaria com a lua sobre as crianças estrelas,
falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins.

Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

Se uma fada fosse mãe, seria mãe da alegria,
toda mãe é um pouco fada...nossa mãe fada seria.

Se uma bruxa fosse mãe,
seria uma mãe engraçada:
seria mãe das vassouras, da família vassourada!

Se a chaleira fosse mãe, seria mãe da água fervida,
faria chá e remédio para as doenças da vida.

Se a mesa fosse mãe, as filhas sendo cadeiras,
sentariam comportadas, teriam "boas maneiras".

Cada mãe é diferente: mãe verdadeira ou postiça,
mãe vovó e mãe titia, Maria, Filó e Francisca.
Toda mãe é como eu disse.
Dona Mamãe ralha e beija,
Erra, acerta, arruma a mesa,
Cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora,
Traz remédio e sobremesa...

Tem até pai que é tipo mãe... esse então é uma beleza"



4 de mai de 2010

The Art Browser

O  maior catálogo on-line de artistas
http://obviousmag.org/archives/uploads/2010/04/ZZ5BBC9137.jpg

Imagine um local onde pode procurar tudo o que se relacione com arte, de forma simples e prática. Onde se pode informar rapidamente acerca de qualquer movimento artístico, sem demorar mais do que 2 minutos. Onde além de texto, pode ver o espólio de cada artista, se tal puder ser encontrado na rede. É disso mesmo que se trata o The Art Browser: partindo do conceito da Wikipedia, é uma nova enciclopédia de arte que aglomera centenas de artistas. Fácil de usar e com um aspecto bastante limpo, alia as categorias da artcyclopedia.com e as imagens da art.com. Os movimentos artísticos estão dispostos por século, onde os artistas são encaixados e, por isso, o grande ponto forte deste site é a sua alta organização: nunca nos perdemos no meio de tanta informação. Cada movimento tem uma breve explicação das suas características, tal como cada artista: mas, se quiser saber mais, existem links directos para a Wikipedia e outros sites. Depois, são também colocadas todas as imagens encontradas de cada artista e aí é uma verdadeira surpresa: só Picasso tem mais de 500 imagens de alta qualidade - desde as mais conhecidas às pequenas ilustrações e capas de revista; tudo pode ser encontrado.
Ao todo, são centenas de artistas que podem ser escrutinados neste site. Há Matisse, Monet, Van Gogh, Dali, mas também muitos outros menos conhecidos: desde Andrea Pisano, Simone Martini e Pietro Cavallini a Jacob Lawrence, Romare Bearden e Ellis Wilson. Tudo o que se possa pensar entre o Pré-Renascimento e os dias de hoje está aqui, à distância de um clique.
pintura escultura arquitectura artistas movimentos artisticos matisse monet van gogh dali kandinsky
Wassily Kandinsky, Composition VII (1913)

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Gustav Klimt, The Kiss (1907-1908)

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Johannes Vermeer, The Milkmaid (1658-1661)

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Salvador Dali, The Great Masturbator (1929)

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Van Gogh, Starry Night (1889)

The Art Browser




Kim Joon - body art

 Kim Joon Body Art Painting Pintura Tatuagens Corpo Homens Mulheres Nus Erotismo Sexo
Esqueçamos as negras tatuagens no braço, no ombro ou no peito. O artista coreano Kim Joon usa-se do corpo todo e das mais variadas cores. E vai mais além: agrupa corpos masculinos ou femininos entrelaçados em posições sensuais sobre os quais desenha padrões contínuos que os fundem numa massa corporal única, subjugados pelo desenho e pela cor!

Apesar do seu estilo denunciar um cunho vincadamente oriental, Joon não se limita aos costumeiros dragões e serpentes. Ao invés, qualquer material lhe serve como padrão pictórico, sejam motivos florais, logótipos de marcas comerciais ou comics do Superman, cujo potencial gráfico é enorme e é inteligentemente explorado pelo artista.

Obra original e, ousamos dizê-lo, profundamente humana...
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3 de mai de 2010

Grãos da felicidade

O consumo de grão de bico produz uma grande sensação de felicidade a quem o ingerem. É conhecido como grãos da felicidade.
Isto tem sido descoberto graças a um estudo que têm elaborado pesquisadores. O estudo nos mostra que os consumidores não podem explicar o estado de bem-estar que lhes causa um prato de grão de bico.
A causa dessa agradável sensação é que o grão de bico contém um aminoácido conhecido como triptofen que, em boa quantidade, produz serotonina, uma substância benfeitora.
http://www.vivendosaudavel.com/wp-content/uploads/2010/04/grao-de-bico-300x200.jpg
É um alimento indispensável em uma dieta saudável e equilibrada.

O grão de bico contribuem hidratos de carbono complexos, de absorção lenta.
São os mais recomendáveis, já que produzem uma assimilação gradual da glicose. Isto evita o desequilíbrio dos níveis de açúcar no sangue e gera uma energia constante.
Contribuem grande quantidade de proteínas mas ao mesmo tempo são muito pobres em gorduras saturadas, pelo qual contribuem a regular o colesterol. Ao combinar grão de bico com cereais (arroz, … )a qualidade de suas proteínas melhora.
Proporciona notáveis quantidades de fibra, o que melhora o trânsito intestinal.
O grão de bico contribuem muitos minerais, sobretudo fósforo, ferro e magnésio.
São especialmente ricos em vitaminas B1, B6 e ácido fólico.


Homus (Pasta de grão-de-bico)


http://www.vivaviver.com.br/_resources/files/_modules/article/article_283_460x220.jpg


Ingredientes
200 g de grão-de-bico
5 colheres (sopa) de molho de tahine
4 colheres (sopa) de suco de limão
salsinha picada a gosto
sal a gosto
azeite para regar

Modo de preparo
Lave o grão-de-bico e deixe de molho na véspera. Cozinhe cerca de 10 minutos na panela de pressão, com água suficiente para cobrir, ou até que fique macio. Retire alguns grãos para decorar o prato. Bata o grão-de-bico aos poucos no liquidificador com 1 xícara de água do cozimento, o molho de tahine, o sal, o suco de limão, até formar uma pasta homogênea e cremosa. Se necessário, adicione mais água. Coloque numa travessa pequena ou num prato, decore com alguns grãos-de-bico inteiros, acrescente a salsa picada e regue com azeite. Coloque na geladeira até o momento de servir. Sirva com torradas ou outra base.

Rendimento
3 xícaras



Molho de Tahine


Ingredientes
4 colheres (sopa) de tahine
4 colheres (sopa) de água
3 colheres (sopa) de suco de limão
1 dente de alho (pequeno) amassado
1 pitada de sal

Modo de preparo
Numa tigela misture o sal, o suco de limão e o alho. Adicione o tahine e a água. Misture bem e leve para gelar.

Rendimento
3 a 4 xícaras


Cada 100g de grão-de-bico (cozido e demolhado) contém:

 Calorias – 121 kcal
 Água – 65,8 g
 Proteínas – 8,4 g
 Lipídios – 2,1 g
 Hidratos de carbono – 16,7 g
 Amido – 15,1 g
 Fibra – 5,1 g
 Vitamina B1 (Tiamina) – 0,1 mg
 Folatos - 54 μg
 Ferro – 2,1 mg
 Fósforo – 83 mg
 Potássio – 270 mg

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