27 de abr de 2012

FODA-SE



O nível de stress de uma pessoa
é inversamente proporcional
a quantidade de
foda-se!
que ela fala.

Existe algo mais libertário
do que o conceito do
foda-se!?
O foda-se!
aumenta minha auto-estima,
me torna uma pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Me liberta.
- Não quer sair comigo ?
Então foda-se!

- Vai querer decidir essa merda
sozinho (a) mesmo?
Então foda-se!.

O direito ao foda-se!
deveria estar assegurado
na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso.
São recursos extremamente válidos e criativos
para prover nosso vocabulário
de expressões que traduzem
com a maior fidelidade
nossos mais fortes e genuínos sentimentos.

É o povo fazendo sua língua.
Como o Latim Vulgar,
será esse Português Vulgar
que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo.
Qual expressão traduz melhor a idéia
de muita quantidade do que
Prá caralho?

Prá caralho
tende ao infinito,
é quase uma expressão matemática.
A Via-Láctea tem estrelas
prá caralho,
o Sol é quente
prá caralho,
o universo é antigo
prá caralho,
eu gosto de cerveja
prá caralho,
entende?

No gênero do Prá caralho,
mas, no caso, expressando
a mais absoluta negação,
está o famoso
Nem fodendo!.

O Não, não e não! e tampouco
o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não,
absolutamente não! o substituem.
O Nem fodendo
é irretorquível, e liquida o assunto.

Te libera, com a consciência tranqüila,
para outras atividades
de maior interesse em sua vida.
Aquele filho pentelho de 17 anos
te atormenta pedindo o carro
pra ir surfar no litoral?
Não perca tempo nem paciência.
Solte logo um definitivo:
Marquinhos presta atenção, filho querido,
Nem fodendo!.

O impertinente se manca na hora!

Por sua vez,
o porra nenhuma!
atendeu tão plenamente as situações
onde nosso ego exigia
não só a definição de uma negação,
mas também o justo escárnio
contra descarados blefes,
que hoje é totalmente impossível imaginar
que possamos viver sem ele
em nosso cotidiano profissional:
ele redigiu aquele relatório sozinho
porra nenhuma!.

O porra nenhuma,
como vocês podem ver,
nos provê sensações
de incrível bem estar interior.
É como se estivéssemos
fazendo a tardia e justa denúncia pública
de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos
aspone, chepone, repone
e mais recentemente, o prepone
- presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um
Puta-que-pariu!,
ou seu correlato
Puta-que-o-pariu!,
falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba...
Diante de uma notícia irritante qualquer
puta-que-o-pariu!
Dito assim te coloca outra vez em seu eixo.
Seus neurônios têm o devido tempo e clima
para se reorganizar e sacar a atitude
que lhe permitirá dar um merecido troco
ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso
vai tomar no cu!?
E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai
tomar no olho do seu cu!.

Você já imaginou o bem
que alguém faz a si próprio
e aos seus quando,
passado o limite do suportável,
se dirige ao canalha de seu interlocutor
e solta:

Chega!
Vai tomar no olho do seu cu!.
Pronto,
você retomou as rédeas de sua vida,
sua auto-estima.
Desabotoa a camisa e sai a rua,
vento batendo na face,
olhar firme, cabeça erguida,
um delicioso sorriso de vitória
e renovado amor íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto
não registrar aqui
a expressão de maior poder de definição
do Português Vulgar:
Fodeu!.
E sua derivação mais avassaladora ainda:
Fodeu de vez!.

Você conhece definição mais exata,
pungente e arrasadora
para uma situação
que atingiu o grau máximo imaginável
de ameaçadora complicação?
Expressão, inclusive, que uma vez proferida
insere seu autor
em todo um providencial contexto interior
de alerta e autodefesa.
Algo assim como quando você está dirigindo bêbado,
sem documentos do carro
e sem carteira de habilitação
e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar:
O que você fala?
Fodeu de vez!.

Liberdade, igualdade, fraternidade e
foda-se!!!
          Acho que é do Millor Fernandes... Se não, foda-se... 

Vai ser avó de quem?



Mãe, vou casar!
Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ? 


Não é moça. Vou casar com um moço.. O nome dele é Murilo.
Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?




Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa? 
Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo. 



Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.



Você vai ter uma nora. Só que uma nora.... Meio macho. 
Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea... E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ? 



Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido. 
Tá ! Biscoito... Já gostei dele.. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ? 



Por quê ? 
Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência. 



Você acha que o Papai não vai aceitar ? 
Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver.. . Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metade com bigode. 



Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays. 
Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.



A Bel já tá namorando. 
A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é? 



Uma tal de Veruska. 
Como ? 



Veruska... 
Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska. 



Mãe !!!...
Tá.., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto .. 



Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada? 
Quando ele era hétero... A Veruska.
Que Veruska ? 



Namorada da Bel... 
"Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã . Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco... 



É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero...
De quem ? 



Da Bel. 
Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska. 



Isso. 
Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel. 



Em termos.... 
A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel. 



Por aí... 
Por outro lado, a Bel....,além de mãe, é tia... Ou tio... Porque é tua irmã. 



Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.
Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska. 



Exato! 
Agora eu entendi ! Agora eu realmente entendi... 



Entendeu o quê? 
Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos! 



Que swing, mãe ?!!....
É swing, sim ! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no tero de outra..... 



Mas... 
Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio..



 A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso... 
Sei !!! ... E quando elas quiserem ter filhos... 



Nós ajudamos. 
Quer saber ? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero,o espermatozóide. .. A única coisa que eu entendi é que... 



Que.... ? 

Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser foda.


* (Luiz Fernando Veríssimo)

18 de abr de 2012

A genialidade em seu interior




A genialidade em seu interior é o caminho
 para a alegria no trabalho.


 “Se nosso espírito não tomar parte naquilo que realizamos, não teremos arte.”
Da Vinci

                                                         ... Quando somos arquitetos do futuro, nossa alegria no trabalho nos apóia.


                   Você pode estar pensando: “Se eu soubesse o que desejo fazer, então eu seria criativo” ou “Tenho ciúmes daqueles que sabem exatamente aquilo que desejam fazer de suas vidas. É fácil para eles serem entusiasmados”. Julgamos que a falta de realização ocorre porque não identificamos nossa verdadeira vocação. Acreditamos que, se descobríssemos a função certa, seríamos felizes.
                   É uma falácia que o conteúdo de nosso trabalho constitui o único aspecto que nos proporciona realização. Nossa alegria origina-se menos daquilo que fazemos, mas de como o fazemos. Quando fazemos contribuições criativas e únicas àquilo que realizamos todos os dias, não importando qual seja o encargo, encontramos algum significado na maioria das coisas que optamos por fazer...
                    Não deixe passar os momentos criativos no trabalho porque você se convenceu de que eles não podem ocorrer nessa função. Seja um caçador de oportunidades. Fareje problemas, obtenha boas informações e então tente encontrar soluções. É a dedicação às idéias que, no final, torna o trabalho prazeroso. As opostas são muito elevadas para não se contar com o poder disciplinador da genialidade.
                ... “ Existem partes de minhas funções que parecem ser trabalho. Mas o que realmente me entusiasma é o seguinte: Estou sempre tentando encontrar o lugar no qual o trabalho se pareça com um hobby. Eu quero que aquilo que faço todos os dias seja algo agradável. Analiso minhas tarefas, tento me testar e desafiar minha criatividade. É sempre arriscado e às vezes eu falho, mas vale a pena. Passo muito tempo aqui, e o trabalho não pode se tornar um vácuo mental.” 


Fonte: CINCO FACES DE UM GÊNIO  de  Annette Mooser-Wellman – Editora ALEGRO.(Págs 228 – 229)  

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